Navegando no Oceano das Fake News

Será que conseguiremos trocar fake por safe nessa expressão?

     Não é de hoje que as fakes news fazem parte do nosso cotidiano; afinal, nem tudo que saía nos jornais, rádio, TV ou mesmo naquela conversa com amigos era verdade. Ao longo dos anos vimos reputações serem derrubadas, negócios arruinados e vidas destruídas por conta de notícias falsas que se espalharam como um raio.

Então por que se fala tanto hoje em dia em fake news como se fosse algo novo? Pelo mesmo motivo pelo qual tantas outras coisas que já existiam por aí ganharam projeção: o alcance, velocidade e atuação nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Se antes um boato era passado gradativamente de uma para outra pessoa, hoje uma única pessoa passa, digamos, para 50, de uma vez só, que passam para mais 50, e por aí vai. Sem contar que parece que o que é falso sempre tem mais poder de disseminação.

 Em uma pesquisa realizada pelo Massachusetts Institute Of Tecnology (MIT), nos EUA, após analisarem 126 mil notícias, concluíram que a chance de uma informação falsa ser repassada é considerada 70% maior do que a de uma verdadeira.

Sem contar a história dos robôs. O que essa estratégia de robôs de whatsapp estão fazendo pela desinformação é algo fora de qualquer proporção. Algumas contas de WhatsApp com suspeita de serem operadas por robôs chegam a distribuir 14 mensagens diferentes em apenas 30 segundos. O aplicativo, que faz parte do império do Facebook, tenta de diversas maneiras conter esse avanço e controlar a rede, e essa não é uma tarefa simples. No final do ano passado, o Whatsapp contava com algo em torno de 1,5 bilhão de contas ativas no mundo, e registrava o cancelamento de aproximadamente 2 milhões de contas por mês. No Brasil, são cerca de 125 mil contas banidas todo mês por uso irregular da plataforma.

Neste momento que estamos vivendo, as notícias falsas sobre o novo coronavírus estão circulando em abundância, representando verdadeiro risco para a população. De remédios milagrosos a ataques a estudos científicos, vídeos, áudios, textos de autoria duvidosa, encontra-se de tudo na rede. Por isso o Grupo de Estudos da Desinformação em Redes Sociais, da Unicamp, criou uma hotline no Whatsapp para mapear e combater as fake news sobre o COVID-19. Desde o início de março, foram reunidas mais de 30 mil denúncias no canal.

Tudo isso exige que as pessoas sejam cada vez mais críticas e questionadoras em relação a tudo que veem, leem, recebem e escutam. As agências checadoras, ou fact checking ganharam importância e se multiplicaram no mundo todo. Com equipes muito qualificadas de jornalistas, elas vão a fundo na apuração sobre o que está sendo mais discutido para verificar a veracidade da informação. Vale a pena conhecer o trabalho delas e, sempre que na dúvida, consultá-las.

Ao mesmo tempo que isso nos deixa sempre num estado de desconfiança, há um lado bom nessa história. Podemos ser cada vez mais ativos e participativos; não precisamos aceitar tudo o que nos colocam como verdades; e temos as ferramentas para verificar, o que sempre vai ajudar a formar opiniões. Temos mais responsabilidade e um papel importante a cumprir, que não podemos ignorar, de ajudar a substituir as fake news por safe news.

Agências de fact checking:

E-Farsas

UOL Confere    

G1 Fato ou Fake

Agência Lupa

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