Já está na hora da sua empresa ter um podcast

Carlos Fernando Pinheiro, Talquimy*

Era 26 de agosto de 2019, quando o William Bonner, apresentador do principal telejornal do país explicou o que era um podcast. Naquele mesmo momento, as buscas pelo termo cresceram de maneira impressionante e os produtores, ouvintes e amantes dessa mídia determinaram que aquele era o ano dos podcasts. Só que até chegar a esse dia tão significativo, muita coisa aconteceu.

O que hoje conhecemos como podcast começou a ser construído lá em 2003, quando o programador Dave Winer encontrou uma forma de colocar alguns arquivos do jornalista Christopher Lyndon na internet, o que foi chamado por ele de “enclosure”.

Mas foi só em 2004, que o termo foi criado. No jornal The Guardian, Ben Hammersley usou esse nome para definir os áudios que eram distribuídos via feed RSS. A palavra foi a junção iPod, o principal MP3 player da época, e Broadcasting, o método de transmissão. A partir daí, o mercado começou a ser construído e chegou a números cada vez mais impressionantes.

O Mercado dos Podcasts

Nesses mais de 15 anos, o mercado só aumenta. Atualmente, os Estados Unidos são o principal produtor de conteúdo. Até por esse motivo, as maiores cifras também circulam lá.

Segundo relatório anual das empresas Interactive Advertising Bureau e PWC, o faturamento dos podcasts cresceu 34% em 2017 e 53% em 2018, quando atingiu o recorde de US$ 479 milhões. A expectativa da pesquisa é que atinja a marca de US$ 1 bilhão em 2021.

Todo esse potencial começou a chamar a atenção de grandes empresas, em especial as que trabalham com streaming de música. Deezer e, principalmente, o Spotify começaram a investir muito e os resultados, tanto para quem produz, quanto para os investidores, são impressionantes.

Ainda no mercado americano, o Spotify fechou o maior contrato da história com Joe Rogan, comentarista do UFC e apresentador do “The Joe Rogan Experience”, e  partir de setembro, todos os programas serão exclusivos da plataforma.

Para chegar a esse acordo com o apresentador, que antes se recusava a fazer negócio com a plataforma por não considerar os valores justos, o Spotify desembolsou, aproximadamente, US$ 100 milhões, segundo o The Wall Street Journal. Um valor impensável há alguns anos e que abre um novo campo para os produtores de conteúdo em áudio.

Os podcasts brasileiros

Por mais que o mercado brasileiro esteja a todo vapor, ainda estamos longe da produção americana. Ainda assim, já temos grandes nomes por aqui. Um dos maiores exemplos é o Nerdcast. Com um programa que fala, basicamente, sobre a cultura nerd, eles atingiram a histórica marca de 1 bilhão de downloads, um reflexo do sucesso do conteúdo, que é realizado desde 2006.

Além disso, com o “boom” dos últimos anos, o formato começa a ganhar mais destaque e mostrar a sua força. O que prova essa expansão são os dados divulgados pelo Deezer, em outubro de 2019, que apontam que o consumo de podcasts no Brasil aumentou 67% comparado com o ano anterior. No país, a maioria dos ouvintes possui entre 24 e 35 anos, o que representa 47%.

Em 2020, durante a quarentena, os números surpreenderam ainda mais. Quarenta e três por cento dos brasileiros afirmaram que ouviram um podcast pela primeira vez no período do isolamento social. Temas como saúde mental e relacionamentos foram alguns dos mais buscados. Ou seja, o mercado nacional está em crescimento e tem muito a ser explorado.

As oportunidades com o podcast

Se os números já apontaram que há público e espaço para criar conteúdo com podcasts , cabe agora às marcas começarem a produzir ou até mesmo financiar produtores para entrarem no jogo, levando seus nomes para programas.

Muito mais do que falar de produto, o ideal é levar conteúdo, atrelando a empresa a um contexto. Como foi visto, as pessoas estão buscando informações, dicas e até palavras de conforto ao escutar um podcast. Sabe aquela proximidade que existe com um radialista e seu público? É a mesma que deve ocorrer com o seu projeto.

Além disso, o maior diferencial é que o espectador tem o poder de escolha, de quando, como e onde ouvir. Então, o foco precisa ser um só: fazer com que você seja o escolhido. Mas como estamos falando de mercado, temos mais um dado importante. Segundo a Associação Brasileira de Podcasters (Abpod), 57% dos ouvintes têm nível superior ou pós-graduação, e 40% possuem renda superior a R$ 5 mil por mês. Ou seja, um público com alta escolaridade e poder econômico para consumir o seu produto ou a sua marca.

Como eu entrei no mundo dos podcasts

Apesar de eu já ter ouvido sobre os podcasts, nunca tinha parado para escutar um. O primeiro que eu ouvi foi o “Não Ouvo”, criado pelo blog Não Salvo. Naquele momento, um novo mundo se abriu. Já que, enquanto eu trabalhava, lavava louça ou demorava 1h dentro do ônibus, tinha a possibilidade de consumir um conteúdo.

Em pouco tempo, eu passei de ouvinte para produtor. Resolvi buscar esse “novo formato” porque percebi que ele começava a ganhar um espaço realmente de destaque. Comecei a ouvir mais programas, de diferentes formatos e temas.

Depois de tanto escutar, decidi criar o meu, o Eita! Podcast. Com essa experiência de produzir conteúdo para podcast, consegui entender o quanto que esse formato é promissor e pode se enquadrar nas mais diferentes necessidades, principalmente, para as marcas e empresas que estão buscando um público fiel e engajado. Por isso, já está mais que na hora da sua empresa ter um podcast.

Veja outras relacionadas a esse assunto