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Todo mundo precisa de um ‘presta atenção’

Se estamos justamente vivendo num caldeirão, não dá para ser purista, e se precisamos nos posicionar, que seja onde as pessoas estão

Não têm sido tempos fáceis para o jornalismo. Nos últimos anos, e não só no Brasil, grupos de mídia sofreram o avanço do digital, que abalou todo o modelo de negócio, impactou drasticamente as receitas, provocando demissões em massa e até fechamento de publicações importantes; vieram os influenciadores, os novos formadores de opinião, que começaram a ser tratados como os novos jornalistas, mesmo sem qualquer compromisso com a apuração, e todo mundo virou mídia.

Aí vieram a pós-verdade, as fake news, o renascimento do Twitter, um caldeirão de informações certas, erradas, apuradas, inventadas, manipuladas para ficarem mais interessantes; a coisa simplesmente não tem fim. Às vezes você lê uma notícia e já nem sabe se é aquilo mesmo, se já foi desmentido, atualizado, confirmado, desenganado; se de tão absurdo era real, de tão razoável era inventado, se é que aconteceu mesmo.

Então, alguém contra-ataca. Justo no epicentro da mídia paga, influenciadores, redes sociais, post pago, não pago, vem explicar porquê o que faz (ainda) é importante e vai continuar sendo. Óbvio, um monte de gente criticou o Washington Post por fazer um anúncio no Super Bowl, o espaço publicitário mais caro das galáxias, proferindo desde que jornalismo não deve se utilizar da publicidade, até que eles deveriam usar essa dinheirama toda para pagar melhor os seus jornalistas – o motor de tudo, afinal.

Mas se estamos justamente vivendo num caldeirão, não dá para ser purista, e se precisamos nos posicionar, que seja onde as pessoas estão. O Washington Post não deu as costas para o jornalismo, pelo contrário, foi até onde as pessoas estão para chama-las de volta, mostrar como é difícil e importante e essencial e indispensável e mais tantas outras coisas que aqueles milionários segundos dizem, fazer jornalismo de verdade.

Agora, o curioso: governantes, líderes de opinião, até marcas vão e vêm nas redes sociais fazendo de um tudo, falando o que querem; mas parece que quando têm algo mais sério a colocar, voltam para a imprensa tradicional. O Trump vai para a TV explicar o shutdown; a Vale faz coletivas de imprensa diárias para explicar o inexplicável; as marcas vão aos jornais e revistas para fazer anúncios importantes. O que me faz pensar que talvez, depois da tempestade, o jornalismo esteja encontrando o seu caminho de volta.